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Dra. Alice Oliveira – Neurologista em Salvador – BA

A enxaqueca é uma doença neurológica caracterizada por crises de dor de cabeça, muitas vezes intensa e pulsátil, que pode vir acompanhada de náuseas e sensibilidade à luz e ao som. Não tem cura definitiva, mas, na maioria dos casos, é possível reduzir a frequência e a intensidade das crises com acompanhamento médico adequado.

O que é Enxaqueca?

Uma doença neurológica, não apenas uma dor de cabeça

A enxaqueca é uma doença neurológica crônica, e não simplesmente uma dor de cabeça passageira. Ela envolve mecanismos complexos do sistema nervoso, com alterações na atividade elétrica e química do cérebro, no funcionamento de estruturas ligadas à dor e na sensibilidade a estímulos como luz, som e cheiros. Por ser uma condição do próprio sistema nervoso, tende a se manifestar em crises que se repetem ao longo do tempo, muitas vezes com frequência e intensidade variáveis.

Compreender a enxaqueca como uma doença ajuda a entender por que ela merece acompanhamento adequado, e não apenas o uso ocasional de analgésicos. Trata-se de uma condição que pode impactar de forma significativa no dia a dia, nos estudos, no trabalho e nas relações pessoais.

Nem toda dor de cabeça é enxaqueca, e a distinção correta orienta a conduta. A enxaqueca é apenas um dos tipos de dor de cabeça, com características próprias que a distinguem das demais.  Por isso, a avaliação por um médico é importante para diferenciar os quadros.

Fases de uma crise de enxaqueca

Uma crise pode se desenvolver em fases, embora nem todas as pessoas percebam todas elas:

  • Pródromo: sinais que antecedem a dor em horas ou até um dia, como alterações de humor, bocejos frequentes, fadiga ou vontade de comer determinados alimentos.
  • Aura: presente em parte dos casos, com sintomas neurológicos temporários, como pontos luminosos, embaçamento visual ou formigamentos.
  • Dor: fase de cefaleia propriamente dita, muitas vezes acompanhada de náuseas e incômodo com luz e som.
  • Resolução: período após a dor, em que pode haver cansaço, dificuldade de concentração e sensação de exaustão.

Reconhecer essas fases pode ajudar no manejo das crises, sempre com orientação profissional.

Atendimento com Dra Alice Oliveira

A Dra. Alice Oliveira é neurologista em Salvador (RQE 12700). Graduou-se em Medicina pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com residência em Neurologia pelo Hospital Geral Roberto Santos (HGRS) e fellowship em Doenças Cerebrovasculares e Neurointensivismo pelo Hospital Santa Izabel. É mestre pela UFBA, membro titular da Academia Brasileira de Neurologia (ABN) e possui certificação em Doppler Transcraniano pela ABN. Atua também como preceptora do Programa de Residência em Neurologia e do serviço de Neuroimunologia do Hospital das Clínicas (HUPES-UFBA).

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ila guedes
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Uma excelente médica, muita atenciosa, prestativa e segura nas informações, tem muito conhecimento. Super indico e estamos satisfeita com o cuidado e atendimento prestado.
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Renata Pereira
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Atensiosa, prestativa e humanizada
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nivalda abreu
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Uma experiência excelente. Sem adjetivos para qualificar a pessoa desta médica. Muito grataaaaaa

Sintomas de Enxaqueca

Características da dor

A dor da enxaqueca costuma ter um padrão reconhecível, ainda que possa variar entre as pessoas e mesmo entre diferentes crises da mesma pessoa. Em geral, ela é descrita como uma dor pulsátil ou latejante, como se acompanhasse o ritmo dos batimentos do coração. Com frequência, atinge apenas um lado da cabeça, embora possa se deslocar de um lado para o outro ou envolver toda a cabeça em algumas crises.

Outras características comuns incluem:

  • Intensidade moderada a forte, capaz de atrapalhar as atividades do dia a dia.
  • Piora com esforço físico, movimento, subir escadas ou atividades corriqueiras.
  • Duração que pode variar de algumas horas a até dois ou três dias quando não há manejo adequado.
  • Tendência a melhorar em ambientes silenciosos, escuros e com repouso.

Aura e sinais que antecedem a crise

Parte das pessoas percebe sinais que surgem antes ou no início da dor. A chamada aura é um conjunto de sintomas neurológicos temporários e reversíveis, que costuma durar de alguns minutos até cerca de uma hora. As manifestações visuais são as mais comuns.

  • Pontos luminosos, linhas em zigue-zague ou áreas de visão embaçada.
  • Formigamento que se espalha por um lado do rosto ou por um braço.
  • Dificuldade passageira para encontrar palavras.

Nem todas as pessoas com enxaqueca apresentam aura. Além disso, horas antes da crise podem ocorrer alterações de humor, bocejos frequentes, vontade de comer certos alimentos e cansaço, sinais que ajudam a antecipar o episódio.

Sintomas associados e sinais de alerta

Durante a crise, é comum haver náusea, vômitos, sensibilidade à luz (fotofobia) e ao som (fonofobia). Alguns relatam também sensibilidade a odores e tontura.

Procure avaliação de urgência diante de:

  • Dor de cabeça súbita e muito intensa, diferente das anteriores.
  • Febre, rigidez na nuca ou confusão mental.
  • Fraqueza, alteração da fala ou perda visual que não melhora.
  • Dor após traumatismo na cabeça.

Esses sinais merecem atenção médica imediata e não substituem a consulta individual.

Eu posso ter uma AVC ou derrame após uma crise de enxaqueca?

A enxaqueca não costuma causar um AVC, e o risco absoluto continua sendo baixo. Porém, pessoas que têm enxaqueca com aura apresentam aumento do risco de ter um AVC isquêmico, principalmente quando existem outros fatores de risco, como tabagismo, hipertensão e uso de anticoncepcionais com estrogênio.

Causas e fatores de risco

Predisposição genética e alterações cerebrais

A enxaqueca tem forte componente hereditário: é comum que pessoas com essa condição relatem parentes próximos que também apresentam crises. Estudos indicam que a predisposição está ligada a variações genéticas que influenciam como o cérebro processa estímulos e regula a excitabilidade dos neurônios.

Do ponto de vista neurológico, entende-se hoje que a enxaqueca envolve uma sensibilidade aumentada de certas vias cerebrais. Ocorrem alterações na atividade elétrica dos neurônios, na liberação de substâncias inflamatórias e na dilatação de vasos sanguíneos, além do envolvimento do nervo trigêmeo, relacionado à dor facial e craniana. Esse conjunto de mecanismos ajuda a explicar por que a dor costuma ser pulsátil e por que sintomas como aura, náusea e sensibilidade à luz podem acompanhar as crises.

Gatilhos comuns do dia a dia

Ter predisposição não significa que a crise ocorrerá de forma aleatória. Muitas vezes há fatores que funcionam como gatilhos, ou seja, situações que aumentam a chance de uma crise em pessoas já sensíveis. Entre os mais relatados estão:

  • Jejum prolongado ou alimentação irregular
  • Sono insuficiente ou em excesso, e mudanças na rotina de descanso
  • Estresse emocional, ansiedade e períodos de relaxamento após tensão intensa
  • Consumo de bebidas alcoólicas e de cafeína em excesso
  • Alguns alimentos, como queijos maturados, embutidos e produtos industrializados
  • Luzes fortes, telas, ruídos intensos e odores marcantes
  • Desidratação e mudanças bruscas de temperatura ou clima

Identificar os próprios gatilhos, muitas vezes com auxílio de um diário de crises, é um passo importante do acompanhamento.

Enxaqueca, hormônios e estilo de vida

As oscilações hormonais têm papel relevante, o que ajuda a explicar por que a enxaqueca é mais frequente em mulheres. Muitas percebem relação entre as crises e determinadas fases do ciclo. Situações que envolvem mudanças hormonais podem exigir avaliação individualizada.

O estilo de vida também influencia a frequência e a intensidade das crises. Sedentarismo, sobrecarga de trabalho, uso excessivo de telas e hábitos irregulares de sono e alimentação tendem a favorecer os episódios. Ajustes graduais nesses hábitos, orientados em consulta, costumam contribuir para melhor controle na maioria dos casos.

Como é feito o diagnóstico

Avaliação clínica e histórico das crises

O diagnóstico da enxaqueca é essencialmente clínico, ou seja, baseia-se na conversa detalhada entre o paciente e o neurologista, associada ao exame físico e neurológico. Não existe um único exame que confirme a enxaqueca de forma isolada; por isso, o relato cuidadoso das crises tem papel central na avaliação.

Durante a consulta, o médico costuma investigar aspectos como:

  • Características da dor: localização (um ou os dois lados da cabeça), tipo (pulsátil, em pressão), intensidade e duração das crises.
  • Sintomas associados: náuseas, vômitos, sensibilidade à luz e ao som, presença ou não de aura (alterações visuais ou sensitivas que antecedem a dor).
  • Frequência e evolução: há quanto tempo as crises acontecem, com que frequência ocorrem e se houve mudança recente no padrão.
  • Fatores que desencadeiam ou aliviam as crises e histórico familiar de dores de cabeça.

Esse histórico ajuda a diferenciar a enxaqueca de outros tipos de cefaleia e a orientar as condutas seguintes.

Diário de cefaleia como ferramenta

O diário de cefaleia é um recurso simples e valioso. Nele, o paciente anota informações a cada episódio, o que permite identificar padrões nem sempre percebidos no dia a dia. Vale registrar:

  • Data, horário de início e duração da crise.
  • Intensidade da dor e sintomas acompanhantes.
  • Possíveis gatilhos (alimentação, sono, estresse, ciclo menstrual).
  • Medidas utilizadas e resposta a elas.

Esse acompanhamento ao longo de algumas semanas oferece ao neurologista dados objetivos para individualizar a avaliação e monitorar a evolução ao longo do tempo.

Quando exames complementares são necessários

Na maioria das pessoas com enxaqueca, exames de imagem não são obrigatórios. Eles podem ser solicitados diante de sinais de alerta, como:

  • Dor de cabeça de início súbito e muito intensa.
  • Mudança importante no padrão habitual das crises.
  • Alterações no exame neurológico ou sintomas novos e persistentes.
  • Início da dor após determinada idade ou em situações clínicas específicas.

Quando indicados, exames de imagem do cérebro auxiliam a descartar outras causas. A decisão sobre solicitá-los é individual e deve ser feita em consulta, considerando o quadro de cada paciente.

Tratamento e acompanhamento

Tratamento das crises e prevenção

O tratamento da enxaqueca costuma ser organizado em duas frentes que se complementam. A primeira é o tratamento agudo, voltado para aliviar a dor e os sintomas associados durante uma crise já instalada. A segunda é o tratamento preventivo, indicado quando as crises são frequentes, intensas ou muito incapacitantes, com o objetivo de reduzir o número e a intensidade dos episódios ao longo do tempo.

No manejo das crises, podem ser utilizados analgésicos comuns, anti-inflamatórios e categorias específicas de medicamentos para enxaqueca, sempre sob avaliação médica. É importante evitar o uso excessivo de analgésicos por conta própria, pois o consumo frequente pode paradoxalmente aumentar a frequência das dores de cabeça.

O tratamento preventivo envolve categorias variadas de medicamentos orais. A escolha depende do perfil de cada pessoa, das doenças associadas e da resposta individual. Não há uma fórmula única: o plano é ajustado ao longo do acompanhamento.

Medidas de estilo de vida e manejo dos gatilhos

Mudanças de hábitos são parte fundamental do controle da enxaqueca e frequentemente potencializam os resultados do tratamento medicamentoso. Entre as medidas que costumam ajudar estão:

  • Manter horários regulares de sono, evitando tanto a privação quanto o excesso;
  • Fazer refeições em intervalos regulares, sem longos períodos de jejum;
  • Manter boa hidratação ao longo do dia;
  • Praticar atividade física regular, de forma orientada;
  • Identificar e reduzir a exposição a gatilhos individuais, como certos alimentos, estresse ou estímulos luminosos;
  • Buscar estratégias de manejo do estresse e da ansiedade.

Um diário das crises pode ser útil para reconhecer padrões e fatores desencadeantes específicos de cada pessoa.

Acompanhamento contínuo com o neurologista

A enxaqueca é uma condição crônica que se beneficia de acompanhamento regular. O neurologista avalia a evolução das crises, revisa a eficácia e a tolerância do tratamento e faz os ajustes necessários ao longo do tempo. Na maioria dos casos, com acompanhamento adequado, é possível alcançar bom controle dos sintomas e melhora na qualidade de vida. Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui a consulta individualizada.

Saiba Mais

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